Valuation

EBITDA ajustado: o número que o comprador realmente paga

Entre o número do balanço e o número da proposta existe uma conta chamada normalização — e é nela que o preço se decide.

Por Adson Gadelha · Agosto de 2026 · 7 min de leitura

A cena se repete no middle market: o empresário pega a DRE, encontra a linha do EBITDA, multiplica pelo múltiplo que ouviu num almoço e chega ao "valor da empresa". Quando a proposta chega, o número é outro — quase sempre menor. A diferença raramente está no múltiplo. Está no EBITDA.

O número de partida e o número da mesa

EBITDA é o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização — na prática, uma aproximação de quanto caixa a operação gera antes das decisões de financiamento e de investimento. É a régua mais usada para precificar empresas em M&A porque permite comparar negócios com estruturas de capital diferentes.

O detalhe que muda tudo: o comprador não paga pelo passado registrado no balanço. Ele paga pelo caixa que a empresa vai gerar nas mãos dele. Por isso, antes de aplicar qualquer múltiplo, ele refaz o seu EBITDA — num exercício chamado normalização, que produz o chamado EBITDA ajustado.

Ajustes para cima: os add-backs

São despesas que estão na DRE de hoje, mas não existirão na operação de amanhã. Os mais comuns: retiradas dos sócios acima do salário que um executivo de mercado custaria na mesma cadeira; despesas pessoais que passam pela empresa (veículo, viagens, cartão); eventos não recorrentes, como uma multa, um projeto único de consultoria ou um sinistro; e aluguel pago a imóvel da família acima do valor de mercado. Cada item, devolvido ao resultado com documentação, aumenta o EBITDA que serve de base ao preço.

Ajustes para baixo: a parte que o vendedor esquece

A normalização corta para os dois lados — e o comprador não esquece o lado dele. Se o dono trabalha 60 horas por semana "de graça", o EBITDA precisa absorver o salário de mercado de quem vai substituí-lo. Receita de contrato que não se renova, cliente que concentra metade do faturamento, perdas operacionais acima do padrão do setor: tudo isso desconta. Quem apresenta só os ajustes positivos perde credibilidade na primeira reunião de due diligence.

Cada real de EBITDA ajustado vale o múltiplo inteiro. Por isso a briga da negociação é no EBITDA — o múltiplo é quase consequência.

Por que a disputa é na base, não no múltiplo

Múltiplos andam em faixas relativamente estreitas dentro de cada setor — e a posição da empresa dentro da faixa depende da qualidade do negócio. Já o EBITDA ajustado pode variar 10%, 20%, 30% em relação ao contábil. Faça a conta: com um múltiplo de 6x, cada R$ 1 milhão de ajuste move o preço em R$ 6 milhões. Negociação sofisticada disputa a memória de cálculo do EBITDA, linha a linha.

Como se preparar antes de ir ao mercado

Mapear as normalizações com documentação: cada ajuste com origem, valor e comprovante. Quem chega à mesa com um EBITDA ajustado defensável ancora a conversa no seu número. Quem não chega descobre o desconto na pior hora — depois da carta de intenções (LOI), quando a exclusividade limita as alternativas e cada achado da due diligence vira redução de preço. O ponto de partida é saber quanto a empresa vale com critério — antes de qualquer proposta.

Importante

Percentuais e múltiplos citados são ilustrativos; cada caso exige análise própria. Valuation é estimativa com premissas explícitas, não recomendação de investimento nem garantia de preço.

Em resumo

Quanto vale a sua empresa depois da normalização?

Levantamos os add-backs, montamos a memória de cálculo e mostramos o EBITDA ajustado defensável do seu negócio. Confidencial e criterioso.

Conversar com a Vantis
AG
Adson Gadelha
Managing Partner · Vantis Partners
Mais de 20 anos de negociação executiva no varejo de grande porte e no empreendedorismo. Hoje estrutura e conduz operações de M&A e valuation para o middle market.
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